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Playbook · Básico

Instalar o pós-venda que segura cliente em 30 dias

O que você sai sabendo fazer

Sair com a régua de perda escrita, a lista de clientes em risco montada, dois contatos de pós-venda agendados para cada cliente novo e uma revisão semanal de 30 minutos com responsável definido.

Tempo total 6 a 8 horas de montagem no primeiro mês, mais 30 minutos por semana daí em diante
Quem executa Dono ou gestor comercial monta; vendedor, atendimento ou pós-venda executa a rotina semanal
Passos 7

7 min de leituraAtualizado em Estimativa

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Em quatro semanas você sai com a régua de cliente perdido escrita, a lista de quem passou dessa régua, dois contatos planejados para todo cliente novo e uma revisão semanal com dono. É a rotina que troca a descoberta tardia da perda por uma conversa no tempo certo.

Para quem é: Dono ou gestor comercial de empresa que vende de novo para o mesmo cliente e hoje só descobre a saída pelo faturamento.

Quando usar este playbook

Use quando a empresa vende de novo para o mesmo cliente — recorrência, contrato, recompra ou serviço que se repete — e hoje ninguém consegue dizer quantos voltaram no último trimestre. O sinal mais claro é o faturamento cair sem que a entrada de leads tenha caído.

Ele é a rotina que resolve o problema descrito em O cliente some e ninguém percebe, e por isso pressupõe que a saída já esteja acontecendo — não é prevenção teórica.

Este playbook não serve para quem vende uma vez na vida e não tem recompra possível. Também não substitui correção de produto ou de entrega: se o cliente sai porque o serviço falha, nenhuma rotina de contato segura a base. O que ele faz é transformar a saída silenciosa em uma conversa que acontece a tempo — e devolver o motivo real, que é a informação mais cara que a empresa não tem.

Por que a ordem dos passos é essa

A tentação é começar pelo contato com cliente novo, que é agradável e não obriga a ouvir queixa. Mas o dinheiro que já saiu está na lista dos que passaram da régua, e as dez primeiras ligações são o que dá conteúdo ao resto do plano: sem os motivos reais, a régua de pós-venda vira protocolo genérico.

Por isso a sequência é medir, ligar, entender e só então instalar a rotina. Quem inverte acaba com dois contatos padronizados que perguntam exatamente aquilo que o cliente não estava querendo dizer.

O que fazer com cada tipo de motivo

Preço. Confirme antes de acreditar. Pergunte com quem passou a comprar e por quanto. Se a diferença for pequena, o motivo raramente é preço — é valor não percebido, e a correção é comunicação de resultado, não desconto.

Prazo e atendimento. São os dois que mais aparecem quando a pergunta é aberta, e os dois mais baratos de corrigir. Costumam vir de um episódio único que ninguém registrou.

Problema não resolvido. É o mais grave, porque o cliente saiu insatisfeito e conta para outros. Vale ligar mesmo sem chance de recompra, só para fechar o assunto.

Mudança do lado do cliente. Fechou, mudou de dono, deixou de precisar. Não é falha sua, e ainda assim a lista precisa registrar — sem isso a sua taxa de perda parece pior do que é, e você corrige o que não estava errado.

Quando não existe data da última compra

Muita PME não tem histórico de compra em lugar nenhum: o pedido nasce no WhatsApp, vira nota no sistema fiscal e morre ali. Sem a data da última compra por cliente, os dois primeiros passos travam.

A saída não é comprar sistema. É reconstruir doze meses de histórico a partir das notas emitidas, uma vez, à mão, numa planilha com quatro colunas: cliente, data da última nota, valor somado dos últimos doze meses e telefone. Uma base de duzentos clientes leva uma tarde. A partir daí a planilha passa a ser atualizada no fechamento de cada mês, e a rotina semanal já tem do que viver enquanto o CRM é montado.

O erro aqui é esperar o sistema ideal para começar a olhar a base. O sistema chega em três meses; a base sai agora.

O que muda entre vender para empresa e vender para pessoa

Em venda para empresa, o intervalo de recompra é mais longo e a saída tem um responsável identificável: alguém decidiu não renovar. A ligação é possível, a conversa é direta e o motivo costuma sair na primeira pergunta. A régua funciona bem, e a lista é pequena o suficiente para ser trabalhada nome a nome.

Em venda para consumidor final, a base é grande demais para ligação individual e o motivo raramente é articulado. Aqui a régua serve para segmentar, não para telefonar: quem passou do prazo entra numa comunicação em massa com uma oferta de retorno, e só a fatia de maior valor recebe contato humano. A conta que decide o corte é simples — o custo do contato individual contra o valor esperado de recuperação daquele grupo.

Nos dois casos a régua é a mesma ideia; muda o instrumento que ela dispara.

Contato com quem parou de comprar: o cuidado que não é opcional

Reativar base é tratamento de dado pessoal. A Lei 13.709/2018 exige base legal, finalidade declarada e um caminho de saída que funcione — e cliente que já parou de comprar é exatamente quem mais reclama de contato indesejado.

Na prática, três coisas resolvem: registrar de onde veio o contato e quando, dizer na primeira linha por que você está falando com aquela pessoa, e oferecer saída em todo envio em massa. Contato individual de relacionamento com cliente anterior tem base legítima; disparo genérico para lista comprada não tem, e o custo de uma denúncia é maior que o da base recuperada.

O erro que faz esta rotina morrer no segundo mês

A rotina morre quando a lista fica grande demais para ser trabalhada. Trinta clientes em risco cabem numa semana; trezentos não cabem, e a reunião vira leitura de planilha.

Quando a lista for grande, corte por valor: trabalhe os que representam a maior fatia do faturamento e trate o resto com um contato em massa, mais barato. Uma lista pequena e viva move receita; uma lista completa e parada não move nada — é a mesma lógica que vale para a carteira de negócios em aberto em O follow-up não acontece.

O que você tem no fim de 30 dias

Uma frase escrita que define perda, uma lista que abre no mesmo filtro toda segunda-feira, dois contatos que acontecem sozinhos para cada cliente novo, uma classificação de motivos com as palavras do cliente, e um número — quanto foi recuperado contra quanto custaria repor. Esse último é o que mantém a rotina viva quando a semana apertar.

Leia a seguir

Próxima ação

Sair com a régua de perda escrita, a lista de clientes em risco montada, dois contatos de pós-venda agendados para cada cliente novo e uma revisão semanal de 30 minutos com responsável definido.

6 a 8 horas de montagem no primeiro mês, mais 30 minutos por semana daí em diante

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O passo a passo

  1. Escrever a régua de cliente perdido

    Descubra o intervalo normal de recompra do seu negócio: pegue os clientes que compraram mais de uma vez e calcule a mediana de dias entre compras. A régua é o dobro desse intervalo. Escreva a frase completa, com o número, e date o documento. Numa distribuidora costuma dar semanas; numa contabilidade, um ano.

    Tempo: 60 minutos
    Você sai com: Uma frase escrita com o número de dias que define cliente perdido no seu negócio
    Erro comum: Copiar um número de outro setor. Trinta dias faz sentido para quem vende todo mês e é absurdo para quem vende uma vez por ano.
  2. Montar a lista de quem já passou da régua

    Exporte os clientes com data da última compra e marque todos que passaram do número que você acabou de escrever. Ordene por valor comprado nos últimos 12 meses, não por data: o objetivo da primeira semana é falar com quem vale mais, e não com quem sumiu primeiro.

    Tempo: 90 minutos
    Você sai com: Lista ordenada por valor, com nome, telefone, última compra e valor dos últimos 12 meses
    Erro comum: Parar no tamanho da lista. O número assusta e vira motivo para adiar — a lista serve para ligar, não para relatório.
  3. Ligar para os dez primeiros e registrar o motivo

    Ligue — não mande mensagem. A pergunta é aberta e sem defesa: o que aconteceu para você parar de comprar da gente. Ouça até o fim e registre a resposta em uma linha por cliente, com as palavras do cliente. Não tente vender nessa ligação: quem tenta reconquistar no primeiro minuto não escuta o motivo.

    Tempo: 3 horas
    Você sai com: Dez motivos registrados com as palavras do cliente e uma classificação inicial
    Erro comum: Delegar as primeiras ligações. As dez primeiras são pesquisa e precisam ser ouvidas por quem decide, porque metade das respostas aponta para algo que só o dono pode mudar.
  4. Classificar os motivos e separar o que é seu

    Agrupe os dez motivos em categorias: preço, prazo, atendimento, problema não resolvido, mudança do lado do cliente e sem motivo claro. Separe o que está sob seu controle do que não está. Preço quase nunca é a categoria maior quando a pergunta foi aberta — costuma ser a resposta educada de quem não quer explicar.

    Tempo: 45 minutos
    Você sai com: Lista de motivos agrupada, com a fatia que depende de você isolada
    Erro comum: Tratar toda perda como preço e reagir com desconto. Desconto para quem saiu por atendimento traz o cliente de volta para o mesmo problema.
  5. Definir os dois contatos obrigatórios do cliente novo

    Todo cliente que fecha passa a ter dois contatos agendados no ato: um em D+7 para confirmar que a entrega começou bem, outro em D+30 para perguntar o que mudou. Cada um com pergunta específica escrita, não um oi tudo bem. Agende como tarefa no mesmo lugar onde o negócio foi registrado, no momento do fechamento.

    Tempo: 60 minutos
    Você sai com: Dois modelos de contato escritos e a tarefa criada automaticamente no fechamento
    Erro comum: Deixar o pós-venda como intenção sem data. O que não vira tarefa com dono não acontece na semana seguinte.
  6. Instalar a revisão semanal da base

    Trinta minutos na semana, com dono de nome próprio, sobre três listas: quem passou da régua, quem caiu mais de 30% em valor e quem tem contato de pós-venda vencido. Cada linha sai da reunião com uma ação e uma data. É o mesmo ritual que já existe para venda nova, aplicado à base que já é sua.

    Tempo: 30 minutos por semana
    Você sai com: Compromisso recorrente na agenda, com as três listas salvas como filtro fixo
    Erro comum: Juntar com a reunião de vendas. A pauta de cliente novo sempre come o tempo, e a base fica para a semana seguinte, todas as semanas.
  7. Medir recuperação e comparar com o custo de repor

    Ao fim de 30 dias, conte quantos clientes da lista voltaram a comprar e quanto isso somou. Compare esse valor com o custo de adquirir o mesmo número de clientes novos, usando o seu custo de aquisição. Esse é o número que sustenta a rotina quando a agenda apertar no mês seguinte.

    Tempo: 45 minutos
    Você sai com: Valor recuperado no mês e custo de aquisição evitado, lado a lado
    Erro comum: Julgar o mês pela taxa de resposta. Quem voltou a comprar é o número que interessa; resposta educada não paga folha.

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