Unit economics
Quanto cobrar pelo meu serviço?
Calcule dois números e escolha entre eles. O piso é o seu custo por hora faturável dividido pela margem que você quer. O teto é uma fração do valor que o serviço gera para o cliente. Preço abaixo do piso quebra a empresa; preço no teto sem prova de resultado não fecha.
Para quem é: Prestador de serviço ou dono de agência, clínica ou escritório que precifica no olho e desconfia que está deixando dinheiro na mesa.
A resposta curta
Preço de serviço tem piso e teto. O piso é aritmética: custo total mensal dividido pelas horas que você realmente fatura, ajustado pela margem que quer. O teto é economia do cliente: quanto ele ganha ou economiza com o seu trabalho. Se o piso encosta no teto, o problema dificilmente é preço: olhe o modelo de entrega. Regra prática: se você não perde nenhuma proposta por preço, seu preço está baixo. Uma taxa de perda por preço entre 20% e 30% costuma indicar posicionamento correto.
Depende de quê
Ocupação faturável. Em serviço, a faixa de referência de mercado observada em PMEs brasileiras em setembro de 2026 é de 50% a 65% das horas disponíveis. Não é pesquisa publicada; meça a sua por três meses.
Valor mensurável para o cliente. Se o serviço gera receita rastreável, cobre por resultado ou por projeto. Se gera conforto e segurança, cobre por escopo fechado.
Risco do escopo. Escopo aberto pede 20% a 30% a mais de margem, ou vira prejuízo no terceiro pedido "rapidinho".
Sua agenda. Agenda lotada há três meses com todas as propostas aprovadas é o sinal mais barato de que o preço está defasado.
Como decidir no seu caso
- Some o custo total mensal da operação, incluindo o seu pró-labore.
- Conte as horas faturáveis reais do mês.
- Divida um pelo outro: esse é o custo por hora faturável.
- Divida pelo complemento da margem alvo — para 40% de margem, divida por 0,60.
- Estime as horas do projeto e multiplique.
- Compare com o valor gerado ao cliente. Se o preço ficar acima de um terço do ganho anual dele, prepare prova ou reduza escopo.
Um exemplo com número
Consultoria de uma pessoa. Custos fixos de R$ 14.000 por mês (estrutura, ferramentas, contabilidade) mais R$ 8.000 de custo da pessoa que entrega: R$ 22.000 de custo mensal.
Horas disponíveis: 160 por mês. Ocupação faturável de 55%: 88 horas faturáveis.
Custo por hora faturável: 22.000 ÷ 88 = R$ 250.
Margem alvo de 40%: 250 ÷ 0,60 = R$ 416,67 por hora.
Projeto que consome 24 horas: 24 × 416,67 = R$ 10.000 (arredondando os centavos). Se o cliente espera economizar R$ 60 mil por ano com o projeto, R$ 10 mil é uma proposta fácil de defender. Se o ganho dele é R$ 15 mil, o preço está acima do teto e a conversa precisa mudar de preço para escopo.
O erro mais comum de quem pergunta isso
Cobrar por hora quando o cliente compra resultado. Cobrança por hora pune quem fica mais rápido e transforma toda negociação em desconto de horas. Preço por projeto ou por pacote mensal protege a sua margem e simplifica a decisão do cliente.
Para onde ir depois
Rode a conta do seu ticket médio atual e compare com o piso que você acabou de calcular. Se o piso está acima do ticket, a correção é de preço, não de volume.
Leia a seguir
- O problema por trás: Meu custo para conseguir cliente subiu demais
- O problema por trás: Não sei os números da minha operação
- Para executar: Estruturar a reunião de diagnóstico comercial
- A métrica que comprova: Ticket médio
- A métrica que comprova: LTV: quanto um cliente vale ao longo da relação
Depende de quê, exatamente
Depende da sua ocupação faturável real, que quase nunca é 100% — em serviço, a faixa observada fica entre 50% e 65% das horas disponíveis, o resto é venda, gestão e retrabalho. Depende do valor gerado ao cliente: onde você consegue medir retorno, o preço sobe sem resistência; onde não consegue, você é comparado por hora. Depende da capacidade: se sua agenda está cheia há três meses, o preço está baixo. E depende do risco assumido — escopo aberto exige margem maior.
O erro mais comum de quem pergunta isso
Precificar copiando o concorrente e esquecendo a ocupação. Quem divide o custo pelas 176 horas do mês, e não pelas horas realmente faturáveis, chega a um preço 40% abaixo do necessário, trabalha o mês inteiro cheio e fecha no zero a zero.
Esta página também responde: como precificar servico · como definir preco de servico · quanto cobrar por hora de consultoria
Perguntas que costumam vir junto
Como calcular o LTV do meu cliente?
LTV é a margem que um cliente deixa na sua empresa durante todo o relacionamento. Em negócio recorrente, multiplique a mensalidade pela margem de contribuição e pelo tempo médio de permanência. Em negócio de compra repetida, multiplique ticket médio, margem, número de compras por ano e anos de relacionamento.
Ver a resposta completa a «Como calcular o LTV do meu cliente?»
Como aumentar a taxa de conversão do comercial?
Mexa nas alavancas em ordem de impacto: velocidade do primeiro contato, número de tentativas, roteiro de diagnóstico e proposta com prazo. Na maioria das PMEs, a maior perda não está no fechamento e sim antes dele, em lead que nunca foi falado. Corrigir contato costuma render mais que treinar argumento.
Ver a resposta completa a «Como aumentar a taxa de conversão do comercial?»
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